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CONSTRUIR UMA BASE

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Um website pode estar prestes a nascer ou já acompanhar um negócio há vários anos. Em ambos os casos, interessa perceber se continua a representar aquilo que existe hoje, se é fácil de utilizar e se deixa espaço para aquilo que ainda pode vir a mudar.

Construir uma boa base não significa prever tudo. 

Significa tomar algumas decisões suficientemente bem para não ser necessário voltar ao princípio sempre que o negócio dá um novo passo.

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CONSTRUIR UMA BASE

Criar um website e rever um que já existe partem, muitas vezes, da mesma pergunta:

o que precisamos que este espaço faça hoje?

Num projeto novo, a resposta ajuda a decidir aquilo que deve existir. Num website com alguns anos, ajuda a perceber o que continua a funcionar, o que deixou de representar o negócio e onde existe realmente uma razão para intervir.

É fácil começar pelo que se vê:  fotografias, referências, cores, tipos de letra ou movimentos.

Mas grande parte da qualidade de um website está em decisões menos visíveis: a forma como a informação está organizada, o caminho que alguém percorre, aquilo que encontra primeiro e a facilidade com que o site consegue acompanhar novas necessidades.

É por isso que nem sempre começar de novo é a melhor resposta.

Às vezes é.

Noutras, já existe uma base que merece ser aproveitada.

Antes de decidir páginas, layouts ou funcionalidades, vale a pena perceber o papel que o website tem naquele negócio.

Alguém precisa de conhecer rapidamente os serviços? Consultar projetos? Marcar uma consulta? Pedir informação? Comprar? Encontrar documentação? Perceber se aquela empresa trabalha na sua área ou localização?

Uma clínica com várias especialidades precisa de organizar informação de forma diferente de um profissional com um único serviço. Uma empresa que começou pequena pode, alguns anos depois, ter novas áreas, equipas ou públicos que já não cabem na estrutura original.

O problema aparece quando o site vai crescendo apenas por acrescentos. Mais um serviço no menu. Uma nova página. Uma secção criada para uma necessidade pontual. Um texto atualizado sem rever o resto.

Cada alteração pode fazer sentido isoladamente e, ainda assim, o conjunto começar a perder clareza.

É por isso que, num website novo ou existente, gostamos de regressar à função antes de decidir a forma.

Não para complicar o processo, mas para evitar criar páginas e funcionalidades que acabam por existir sem uma razão suficientemente clara.

Uma das vantagens de um website é poder continuar a desenvolver-se no mesmo lugar.

Uma empresa pode acrescentar serviços. Um gabinete pode reunir novos projetos. Uma clínica pode receber novos profissionais. Um negócio pode começar com algumas páginas essenciais e, mais tarde, criar novas áreas quando existe informação suficiente para as justificar.

Essa continuidade tem valor.

O domínio mantém um endereço reconhecível e o conteúdo que já existe não desaparece sempre que o negócio muda de fase. Algumas páginas podem continuar a receber visitas, ser partilhadas diretamente, referenciadas por outras fontes ou simplesmente permanecer úteis durante vários anos.

É por isso que, quando um website já existe, convém perceber o que está construído antes de o substituir.

Há páginas que já cumprem bem a sua função. Há conteúdos que continuam atuais. Há endereços que já circulam em documentos, emails ou outros websites.

Alterar pode ser necessário. Apagar por princípio, não.

Há também uma questão menos visível, mas importante: o domínio e os principais acessos devem permanecer sob controlo do próprio negócio.

Não é necessário saber administrar servidores ou gerir tecnicamente o site. Mas convém garantir que o endereço, as contas essenciais e aquilo que está a ser construído continuam acessíveis se, no futuro, mudar a pessoa, equipa ou tecnologia responsável pelo website.

Um fornecedor pode mudar.

A base do negócio deve conseguir continuar.

Um website começa a tornar-se mais fácil de utilizar quando cada informação encontra o lugar certo.

Imagine uma empresa que apresenta oito serviços muito diferentes numa única página.

Pode funcionar.

Mas, se cada área exige explicações próprias, responde a necessidades diferentes ou é utilizada em momentos distintos, talvez faça mais sentido dar-lhe um espaço independente.

Uma página própria permite explicar melhor um assunto e enviar alguém diretamente para a informação que lhe interessa, sem obrigá-lo a percorrer todo o website.

Também pode acontecer o contrário. Há sites que foram crescendo até terem várias páginas praticamente iguais, textos repetidos e opções de menu que já não correspondem à forma como o negócio está organizado.

Nesse caso, melhorar pode significar retirar.

É esta organização que normalmente chamamos arquitetura da informação: perceber o que deve estar separado, o que pode estar junto e como alguém passa de uma área para outra sem precisar de conhecer previamente a lógica interna da empresa.

Não existe um número certo de páginas.

Há websites pequenos extremamente completos para aquilo que precisam de fazer e estruturas grandes que continuam simples de navegar.

O tamanho não determina a qualidade.

A organização faz uma diferença muito maior.

Melhorar pode significar simplificar.

Quem trabalha num negócio conhece demasiado bem aquilo que faz.

Sabe os nomes dos serviços, percebe as diferenças entre áreas e sabe exatamente onde determinada informação está guardada. Quem chega pela primeira vez não tem nenhuma dessas vantagens. Por isso, uma parte importante do trabalho consiste em tentar olhar para o website sem o conhecimento de quem o criou.

O menu é fácil de perceber? A informação principal aparece suficientemente cedo? Os contactos estão onde esperamos encontrá-los? Um formulário pede apenas aquilo que é necessário? Conseguimos perceber o próximo passo sem procurar demasiado?

É aqui que entra a experiência de utilização, ou UX (User Experience).

O nome parece mais técnico do que muitas das decisões que envolve.

Um botão suficientemente visível. Um texto confortável de ler. Uma página que não demora demasiado a carregar. Uma estrutura que continua a funcionar num ecrã pequeno.

O mobile merece uma atenção particular.

Não porque seja necessário criar um segundo website, mas porque ler num telemóvel é uma experiência diferente. Existe menos espaço, utilizamos os dedos para navegar e muitas vezes consultamos a informação em contextos de menor atenção.

Um site não está realmente adaptado a mobile apenas porque todos os elementos conseguem caber no ecrã.

Precisa de continuar fácil de utilizar.

Há ainda um problema difícil de observar: muitas das más experiências não deixam qualquer registo explícito.

Quem não encontra a informação, não consegue carregar uma página ou não percebe o que deve fazer a seguir raramente envia uma mensagem a explicar o problema.

Simplesmente sai.

Uma boa experiência tenta reduzir esses pequenos obstáculos antes que alguém tenha de pensar neles.

O lançamento de um website é um momento importante, mas não é o fim da sua vida útil.

A tecnologia muda. Os negócios também.

Serviços deixam de existir, equipas mudam, fotografias deixam de representar o espaço, contactos são substituídos e informação que estava correta há dois anos pode já não estar hoje.

Há também uma manutenção menos visível.

Atualizações técnicas, segurança, cópias de segurança, formulários, integrações e outras pequenas peças precisam de continuar a funcionar mesmo quando ninguém está a pensar nelas.

Isto não significa estar permanentemente a alterar o website.

Significa não assumir que, depois de publicado, continuará indefinidamente igual sem perder qualidade.

Um site existente tem ainda uma vantagem: podemos observá-lo em utilização.

Perceber que áreas são mais visitadas, que dispositivos são utilizados ou onde surgem problemas pode ajudar a decidir o que merece atenção numa próxima revisão.

Esses dados não substituem uma decisão.

Dão-nos contexto para não alterar apenas com base naquilo que achamos que está a acontecer.

Manter um website é, muitas vezes, um trabalho discreto.

E isso é provavelmente um bom sinal.

Há uma tendência natural para associar a vontade de melhorar um website a um redesign completo.

Às vezes é exatamente aquilo de que precisa.

Uma tecnologia pode ter chegado ao limite, a estrutura pode já não acompanhar o negócio ou a experiência pode estar suficientemente comprometida para justificar uma reconstrução.

Mas existem muitas outras situações.

O site pode precisar de melhores textos. Uma reorganização do menu. Novas páginas. Uma navegação mobile mais cuidada. Imagens mais leves. Uma funcionalidade específica. Ou simplesmente uma revisão daquilo que foi sendo acrescentado ao longo dos anos.

Intervir apenas onde existe uma razão tem duas vantagens.

Aproveita aquilo que continua válido e permite concentrar recursos onde podem realmente fazer diferença.

A mesma lógica serve para um projeto novo.

Não é necessário construir hoje tudo aquilo que poderá ser necessário daqui a cinco anos. Algumas funcionalidades podem esperar. Certas áreas podem nascer quando houver matéria para as desenvolver. Um website pequeno pode ser uma base perfeitamente definitiva para a fase em que o negócio se encontra.

Há uma diferença importante entre começar simples e construir algo que não consegue evoluir. A primeira pode ser uma decisão muito inteligente.

No fundo, um website não precisa de antecipar tudo aquilo que um negócio poderá vir a ser.

Precisa de representar bem aquilo que existe hoje, funcionar para quem chega e permitir que o próximo passo não obrigue a regressar ao início.

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